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O Pior Sintoma é Aquele que Não Vemos! A Prática da Saúde Preventiva é uma boa opção para a melhoria da Qualidade de Vida.

domingo, 29 de maio de 2011

Depoimento de um ex-tabagista

Em 31 de maio se comemora o dia mundial sem tabaco e estou feliz de fazer parte da categoria de ex-fumante, das pessoas que abandonaram o hábito de fumar.
Parece que foi ontem, mas quatro anos já se passaram desde que fumei o meu último cigarro. Não tenho a data nem a hora exata porque, desta vez, foi pra valer, me empenhei de verdade e abandonei definitivamente o vício.
Quando Leio as notícias da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que quase seis milhões de pessoas morrerão por conseqüência do tabaco neste ano, direta ou indiretamente, fico triste pelos dados alarmantes sobre os males desse vício e, ao mesmo tempo, fico feliz por não fazer mais parte desse grupo de risco.
Como a grande maioria dos fumantes, comecei a fumar ainda adolescente, período de muitas dúvidas, incertezas e grande necessidade de auto-afirmação. Junte-se a isso, uma carência afetiva enorme por fazer parte também de um grupo de crianças cujos pais se separaram. Vivia muito bem com minha mãe, mas a saudade e a falta de meu pai me consumiam. Parecia que um vazio enorme dominava o meu ser.
Era uma época em que fumar fazia parte dos costumes e da moda, além é claro, de um bombardeio diário de propagandas na mídia em geral, mostrando o glamour do fumar, o sucesso com as garotas e, acima de tudo, o homem de verdade que se tornava o fumante. Houve influência de minha família, pois, havia muitos fumantes inclusive meus ídolos, meu pai e minha estimada mãe. Era a resposta para tudo aquilo que um jovem nesta fase da vida podia esperar.
O que à época não se falava claramente, era sobre o perigo de se tornar um dependente químico da nicotina e, principalmente, do risco de contrair um câncer e outras doenças associadas ao vício de fumar. Pouco adiantaria também tomar conhecimento dos malefícios do meu vício, pois, já vivia na fantasia do sucesso e do novo ser que me transformará, era o máximo!
Minha carreira de fumante foi longa. Fumei o primeiro cigarro aos treze anos, ainda em caráter esporádico durante dois anos por questões religiosas e aos quinze anos, peguei firme e fiz carreira. Foram longos trinta e cinco anos de tabagismo!
Próximo aos dezoito anos, devido à prática de esportes, fiz minha primeira tentativa de parar de fumar e fracassei. Não entendi muito bem o que havia acontecido, mas também, ainda era muito atrativo fazer parte desse grupo seleto de pessoas que fumavam. Levei a vida adiante.
Anos mais tarde, quando já havia esquecido a última tentativa fracassada de parar, já aos vinte e cinco anos aproximadamente, quando também já se falava das possibilidades de contrair doenças, principalmente o câncer pelo hábito de fumar, fiz uma nova tentativa. Desta vez convenci a um amigo que juntos poderíamos vencer essa luta. Foram três longos dias da minha abstinência. Fiquei na maior alegria em pegá-lo fumando escondido, pois, tinha um motivo justo para romper o nosso trato. Voltei ao vício. Desta vez foi diferente, reabastecida a carga de nicotina no corpo, começou a dor na consciência e uma grande dúvida: será que não consigo parar? Será que estou viciado? Era isso que meus pais tentaram me alertar e não dei ouvido! Levei a vida adiante, só que agora com uma mágoa da derrota e um enorme sentimento de culpa.
Peguei o vácuo da brincadeira do mesmo amigo, que dizia –“deixei de deixar de fumar” e assim, continuava a alimentar o meu vício. Lembrava também do fracasso de outro amigo, que após dois anos de abstinência, voltará a fumar em uma pescaria por substituir o cigarrinho de palha usado para espantar mosquito "mutuca", pelos tradicionais cigarros de sua preferência. Claro que a estas alturas já conhecia e me apegava a alguns dados estatísticos que davam conta de pessoas no alto de seus oitenta, noventa e, até mesmo, quase cem anos, que fumaram a vida toda, desde a mais tenra infância. No calor dos debates, recorria às pessoas mais próximas que fumavam e não tinham nada, até mesmo meu falecido avô do qual tinha notícia de seu cigarrinho de palha esporádico.
Misturada à minha loucura, já aos quarenta e poucos anos, encontrava a loucura de outros que assim como eu, viviam esta angústia decorrente das várias tentativas de querer parar de fumar e não poder mais fazer essa escolha. Dentre eles se destacava um grande amigo argentino, que vivia no Brasil há muito tempo, mas não abandonava suas raízes, principalmente a tradição que trouxera da terra natal, o hábito de fumar e tomar café. Muito culto, intelectualizado, engenheiro e professor universitário e fumante inveterado. Embora tivesse suas histórias sobre as suas paradas de fumar, trazia sempre a lembrança de ter lido certa vez dois artigos que apontavam pesquisas que não encontraram determinadas doenças em pessoas fumantes, daí a conclusão de que havia algum bem no fumar. Era hilário!
Levava adiante a minha vida, agora muito consciente da enrascada em que me meterá, pois, não conseguia me libertar das garras do vício de fumar, desta poderosa droga, a nicotina. Junte-se a isso, a sociedade me pareceu madura e consciente de repente e, de um dia para o outro, notícias eram publicadas com previsões macabras sobre o vício de fumar. Os maços de cigarros estampavam pessoas vítimas do seu carrasco e as frases alertando sobre os males, os riscos e perigos do tabagismo, já não eram dissimuladas, apontam claramente para uma realidade que poderá levar muitos à morte ou a um sofrimento horrível. Meu desespero aumentava a cada dia, sentia-me preso a uma corrente invisível, cuja chave parecia ter sido jogada fora. O que será de mim? Como vou me libertar?
Chegando próximo aos cinqüenta anos, me dava conta dos prejuízos que me impunha o vício que outrora fora uma escolha pelo prazer. Consumindo quase dois maços de cigarro por dia, ou seja, aproximadamente 40 cigarros, além do ônus financeiro, já sentia um pouco da falta de fôlego em uma caminhada, uma pequena escada ou numa simples ladeira de pouca inclinação. Parecia uma chaminé ambulante, tamanho era o cheiro de fumaça que exalava.
Nesta última década recorri a muita leitura e a todos os recursos disponíveis para me auxiliar na tentativa de parar de fumar. Em várias delas parei algumas vezes uma, duas, três semanas e até mesmo, dois a três meses e recaia. Fazia parte do processo, eu sabia, mas não entendia porque não conseguia obter êxito em minhas investidas.
Finalmente, pelos mistérios que própria vida nos revela a cada dia, entendi que me faltava pronunciar e desejar de coração a palavrinha mágica, eu quero.
Finalmente encontrei meu motivo que justificava todo o sacrifício que iria passar para abandonar o cigarro, ou seja, resgatar a minha vontade, a minha auto-estima, a minha liberdade de escolha que o vício do tabaco havia me tirado.
Os primeiros três meses foram terríveis, mas não houve nenhum sintoma que me fizesse sofrer mais do que, possivelmente sofreria, se tivesse contraído uma das doenças desencadeadas pelo vício, como lamentavelmente tive notícias de alguns que morreram porque resolveram escolher arriscar.
O nosso corpo é maravilhoso, tem os recursos naturais que nos permite uma readaptação à vida, sem o vício. A cada dia, a cada mês a mente fica mais limpa, diminui a ansiedade e a depressão, resgatamos o equilíbrio psicológico.
Hoje quando olho para trás, vejo quanta ilusão e quanta fantasia me levaram ao vício e o quanto é importante estar bem, para poder enfrentar as adversidades da vida, com naturalidade. Como disse um grande amigo no auge de seu oitenta e dois anos, “a vida sem problemas não tem sentido, às vezes ganho e às vezes perco, mas vou seguindo feliz. A vida é muito boa!!!”
Não sou um ex-fumante intolerante, nem preconceituoso e, acima de tudo, respeito o direito de escolha de cada um, pois, esse é o bem maior que o Próprio Deus não ousou violar, quando estabeleceu o livre arbítrio, no entanto, acredito que quando perdemos a nossa liberdade de escolha, não somos mais donos da nossa vontade, não somos livres.
Espero que este depoimento sirva de inspiração para àqueles que têm medo ou dúvida sobre abandonar o vício do tabagismo ou qualquer outro vício que esteja impedindo de ser livre. Faça uma reflexão, encontre os seus motivos ou o motivo que lhe impulsione a pronunciar a palavrinha mágica – eu quero. Faça a sua escolha.
Boa sorte!

domingo, 22 de maio de 2011

Liberdade, uma questão de escolha!

Falar hoje em liberdade parece não ter muito significado quando se vive em um país como o nosso. O período de fortes restrições, conhecido por ditadura militar, faz parte da história. No entanto, podemos dizer que conhecemos o lado perverso e negativo da privação da liberdade, a submissão e a proibição. Aqueles que ousaram defender a prática da liberdade de escolha, pessoal ou de grupos, pagaram um preço muito alto, alguns com a própria vida. Lamentável!
Muitos países viveram essa situação, e, pior ainda, em pleno século XXI ainda se tem notícia dessa prática brutal de opressão. Agora, no entanto, muitas vezes, revestida pelo discurso de defesa da própria liberdade, ela se manifesta. O que nos leva a pensar que a opressão, a proibição sempre estará a serviço de algum interesse, individual ou de grupo. A história é a prova incontestável deste fato.
Podemos pensar também, que a liberdade no seu lado positivo é norteada pela possibilidade individual de decisão e de escolha voluntária. O homem escolheu viver em grupo, desde os primórdios da civilização e é através da busca da satisfação das necessidades individuais e de grupos que se constitui uma comunidade, uma sociedade. Viver em grupo só é possível quando se respeita o direito de escolha alheio. Quando se tem a consciência do que é meu e do que é do outro, quando se tem limites de regras e condutas, que possam atender e satisfazer ao grupo como um todo; a comunidade ou cidade na qual faça parte ou o país em que vive.
Praticar a liberdade é respeitar as diferenças.
Não falo aqui só de escolhas diferentes, mas também, da consciência pelas minhas escolhas. Algumas coisas me dizem respeito exclusivo, mas, vivo em grupo, em sociedade e tenho que pensar nas conseqüências dos meus atos. Ainda vivemos um período de transição sobre alguns aspectos da vida cultural e social. Temos ainda que por em discussão e debate algumas questões que geram um  desgaste desnecessário se houvesse essa prática da liberdade de escolha consciente.
A medicina psicossomática defende uma visão integrada do ser humano, um ser biopsicossocial, ou seja, o homem é visto como um todo em sua relação com o meio em que vive. Essa visão integrada do ser humano diz respeito às influências de seu comportamento e suas reações frente às adversidades da vida e suas escolhas, pelas características de sua constituição biológica, psicológica e social. Em resumo quer dizer que cada pessoa reage de forma diferente, frente a um mesmo fato ou estímulo.
 Isso nos remete a alguns questionamentos, principalmente sobre àqueles que possam por em risco o outro, a comunidade a sociedade.
Se pensarmos na prática da liberdade, é um direito das pessoas a escolha pelo uso de drogas, álcool, tabaco, maconha, etc. Mas também devemos analisar que os estudos sobre esses temas dizem que não há uma fronteira segura entre o uso, o abuso e a dependência de um agente psicotrópico. Temos ainda a variável do ser biopsicossocial, que pode ou não levar uma pessoa a desenvolver a dependência química, pois cada pessoa reage de forma diferente frente a um mesmo estímulo. É uma situação difícil. No entanto, podemos aprender com o que conhecemos e com o que abordamos no início de nossa conversa.  A serviço de quem ou do que está esse desejo?
No meu entender, a análise deve partir do individual para o coletivo e da defesa soberana da liberdade de escolha. Isso quer dizer que, acima de qualquer interesse, devemos conhecer as conseqüências das escolhas que vamos fazer. Dados do ministério da saúde sobre a dependência química demonstram que as drogas só trazem aspectos negativos para a pessoa, para a família e para a sociedade. Sabemos que o dependente perde o controle sobre a sua vontade, e a sua vida passa a girar em função da droga, seja ela qual for, e lhe tira a sua capacidade de escolher, a sua liberdade.
Acho que vivemos um momento delicado na sociedade. Estamos em um período de transição, em uma nova configuração social. O mundo globalizado pode nos remeter a questionamentos e desejos que talvez, ainda não tenhamos maturidade cultural, social e econômica para viver. A internet trouxe uma avalanche de informações e facilitou o acesso ao conhecimento, mas, trouxe também novos problemas que ainda estamos aprendendo a lidar. Até mesmo a pedofilia e a criminalidade já estão informatizadas.
No meio desta confusão, temos as crianças sendo bombardeadas diariamente com tantas informações envolvendo questões de crenças e valores quando ainda mal sabem ler e escrever. A sociedade está colocando muitas coisas em discussão, que corremos o risco de tirar a liberdade de desenvolver a criatividade e a liberdade de expressão. Tudo passa a ser proibido e sujeito a penalidades. Voltamos à situação inicial de podermos escolher apenas aquilo que é considerado aprovado e liberado pelo sistema de regras sociais impostas, mas não aceitas por todos.
O mundo de hoje, mais do que nunca, nos leva a conhecer e respeitar as diferenças, valorizar a liberdade, mas, só construiremos uma sociedade saudável se soubermos fazer as escolhas que possam atender as necessidades e aos interesses de todos e de suas comunidades.
As escolhas de hoje constroem a liberdade do amanhã!

domingo, 8 de maio de 2011

MAE - Meu Amor Eterno


Mãe!
Uma simples palavra, mas carregada de muitos significados.
O símbolo maior da participação humana na criação. O poder de gerar um filho.
Para muitos a âncora na constituição e manutenção de uma família. Para outros o símbolo máximo de amor, ternura e afeto e para alguns um ente sagrado, intocável.
De todas as espécies, o filhote da raça humana é o mais dependente da mãe em seus primeiros anos de vida, desde o seu nascimento. Ela traz o significado maior da vida, o alimento. Os primeiros meses, período de maternagem, são cruciais para intermediação de nossa vida com o mundo real. Somos totalmente dependentes de seus cuidados e afetos.
É o início de nossa vida no mundo simbólico, no mundo das fantasias.
 Estabelecemos uma relação de interação, de unidade e a temos como uma extensão de nosso corpo e de nosso ser. Ainda não somos capazes de distinguir o que é meu do que é dela. Vivemos os primeiros momentos de terror pela simples ameaça de sua perda, o simples afastar-se de nossa presença já provoca o pânico da inexistência.
Aos poucos vamos percebendo que somos um novo ser, começamos a descobrir os limites de nosso corpo e do nosso mundo. No entanto, nos damos conta do quão importante é o seu afago, o seu carinho e a sua paciência em tolerar a nossa as nossas angústias e incertezas, em aplacar os nossos medos e, sempre presente, com muito afeto e amor nos guiar nos primeiros movimentos e sentimentos para com a vida, ensinando-nos o que é amar.
Mãe, em sua grande maioria, é venerada pela grandiosidade de sua missão, de sua dedicação e amor para com a sua prole.  Representa a superação, a abnegação de sua existência e de seus desejos para cuidar dos seus filhos.
A vida nem sempre é generosa na relação mãe e filhos. Existem os casos em que o filho (a) não suporta a mãe e a esta, em poucas situações, não suporta o filho (a). Podemos assegurar que esse tipo de relação fugiu à regra.  E são esses casos, que acabam por contribuir para a formação de pessoas desequilibradas, revoltadas, agressivas e muitas vezes, violentas. Pois, a rejeição, principalmente de uma mãe, deixa marcas profundas na constituição e existência de um ser humano.
Não pretendemos discutir as teorias psicológicas e sociais dessa relação, mas enaltecer a relevância e a beleza do seu significado para a vida.  
Mães são eternas, porque, mesmo para àquelas que já se foram, podem estar certos, ela continua viva e presente em nosso pensamento, em nosso coração e em nossa existência.
Ela nos ensinou o significado do amor.  Ensinou-nos a amar, por isso, é o nosso amor eterno.
Obrigado mãe! ... onde quer que você esteja.