A
LIBERDADE DA CONSCIÊNCIA
Estranho
falar em liberdade da consciência?
A
consciência é um atributo que posiciona o indivíduo em relação ao mundo
exterior e mundo interior. Para a saúde é um parâmetro importantíssimo de
avaliação da capacidade neurológica e da atividade psíquica de uma pessoa.
Retrata também, a sua capacidade de estabelecer contato com a realidade e com
os fenômenos que circundam sua vida.
O
princípio de Descartes “penso, logo existo”, demonstra um estado de consciência
de si mesmo, da própria existência. O ser humano possui ainda, a consciência
moral que lhe da um parâmetro para as suas ações com o moralmente prescrito e o
proibido. A forma como a pessoa se expressa demonstra seu estado de consciência
em relação à vida e a sua comunicação poderá ser pela escrita, corporal, verbal e através de imagens.
Estamos
acostumados a ouvir e reivindicar o direito de expressão, mas nem sempre este
direito é sinônimo de liberdade. Embora uma coisa não esteja atrelada a outra,
liberdade de expressão não é, necessariamente, sinônimo de liberdade da
consciência. Às vezes, uma ideia, um hábito, se transforma em uma crença e pode
nos escravizar e tornar-se “senhor” de nossos atos.
São
estas crenças que vão nos prender e criar raízes tão profundas que, quando nos
dermos conta que há algo errado, não conseguiremos mais nos mover.
Parece
algo simples, mas é extremamente difícil lidar com esta situação. Um exemplo
fácil de comparação é analisar o grau de dificuldade quando pensamos em mudar
um hábito, abandonar um vício ou, um simples um comportamento... deu pra enxergar
o que estou tentando dizer?
Cada
caso é um caso, mas é provável que já vivenciaram alguma experiência com amigos
ou na própria família com o caso de dependência química (álcool, tabagismo,
drogas). Estes casos são mais fáceis de “ver” as consequências destas crenças
em ação, pois, na verdade, estão recheados de falsas crenças, tanto do usuário,
como da maioria dos envolvidos.
Citei
este exemplo pela sua complexidade, mas principalmente, pela extensão de suas consequências
para o indivíduo, para a família e para a nossa sociedade. È indiscutível a
gravidade e à proporção que o tema vem tomando e a necessidade de mobilização
das pessoas e dos governos em todas as esferas. No entanto, parece que o
problema se multiplica, por mais que se faça para resolvê-lo.
Esta
situação também caracteriza a típica reivindicação do direito e da liberdade. A
liberdade da pessoa de fazer o que quer e o que julga ser de direito. Mas que
liberdade é esta que o escraviza e que mutila o direito e a liberdade de outros,
pois todos ficam reféns das consequências de seus frutos a doença, a violência
e a desestruturação familiar e social.
Tomar
consciência de si mesmo, de quais princípios e valores norteiam nosso rumo pode
ser o primeiro passo para uma verdadeira liberdade e para o direito de usufruir
e construir uma comunidade sadia e uma sociedade menos desigual e realmente livre. O pior sintoma é aquele que não vemos.
A
liberdade da consciência pode ser o primeiro passo!