Existe isto, separar os problemas pessoais dos problemas profissionais?
É o que muitos dizem – é preciso aprender a separar as coisas. Mas não é fácil, pois o portador dos problemas, não importa a origem, é a mesma pessoa. Outra coisa que pensamos muito pouco é na divisão do nosso tempo ao longo do dia. O dia tem 24 horas, nem mais e nem menos. Quanto tempo é gasto com as questões pessoais? Quanto tempo é gasto com as questões profissionais?
Existem inúmeros problemas e situações a serem pensadas em termos de uso do tempo disponível, mas sempre haverá as preocupações com os assuntos familiares e com o progresso na carreira, solteiros ou casados. Há uma realidade presente em ambos os casos, a necessidade de trabalhar para gerar renda e poder contribuir para o sustento da família. A dimensão deste compromisso também será a dimensão da responsabilidade e preocupação com a necessidade de manter e prosperar no emprego para garantir a sobrevivência familiar. Quando falamos em sobrevivência, estamos pensando em atender as necessidades básicas de qualquer pessoa, que segundo Maslow, são as necessidades fisiológicas de sustentação da vida do ser humano como alimentação, respiração, reprodução, descanso, abrigo, vestimenta, entre outras. Embora seja a base na hierarquia das necessidades, aqui já ocorre uma geração de tensão, pois há os problemas decorrentes do próprio trabalho, o fantasma do desemprego que ronda o mundo corporativo e o peso da responsabilidade na participação na renda familiar, levando a pessoa à constante adaptação e expectativa de progredir para manter o emprego e garantir a satisfação de mais uma de suas necessidades, segurança.
Ao agregar os filhos na composição familiar, uma nova proporção de responsabilidade e preocupação passará a tomar conta dos pensamentos da pessoa. O desenvolvimento e crescimento dos filhos se incumbirão de colocar os problemas decorrentes do percurso de suas próprias vidas, mobilizando maior atenção e tempo nas questões familiares. Não podemos deixar de considerar a possibilidade de surgimento de doenças e de problemas nos inter-relacionamentos familiares, que, por menor que sejam geram preocupação e mobilizam a atenção e tempo das pessoas.Em geral, esse é o quadro na vida da maioria das pessoas que fazem parte da grande massa da população e ocupam uma vaga de emprego, tendo a força do seu trabalho como a sua trajetória de vida e a busca do sucesso profissional a sua realização.
É esta pessoa, carregada de anseios e expectativas que, diariamente, irá cumprir seu papel e sua função em uma empresa e constituir o chamado ambiente organizacional.O mercado de trabalho é divido em vários setores de atuação, comércio, financeiro, industrial, saúde, educação, serviços, etc. e, cada um deles, tem uma característica própria, sua linguagem e os problemas específicos de sua área de atuação, quer seja público ou privado.
Trabalhar em qualquer setor significa se submeter às suas especificidades e regras. Ampliar o conhecimento em sua área de atuação, ser criativo e inovador, flexível e colaborador, além do chamado “vestir a camisa”, é condição determinante para conseguir obter sucesso na carreira profissional e se fazer presente no chamado mundo corporativo. Retomando a divisão do tempo, veremos que a maior parte dele é destinada às questões do trabalho, pois, em geral, oito horas dia é trabalhada, a pessoa dorme em média seis horas, tem uma hora para o almoço e gasta quatro horas no trânsito para a ida e a volta do trabalho. Tirando a hora para o jantar, sobra apenas quatro horas do dia para se dedicar à família e, eventualmente, fazer um curso de aprimoramento como investimento na profissão.
Daí a importância em pensar em saúde e qualidade de vida no trabalho como “o bem-estar físico, psíquico e social, e não apenas a ausência de doenças”, como estabelece a Organização Mundial de Saúde (OMS), pois a maior parte do tempo de uma pessoa é dedicada às questões do trabalho.Dentro desta perspectiva podemos supor que há uma só pessoa, tentando viver!
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