Desde o incidente na escola do Rio de Janeiro estive em silêncio. Tentava compreender o que havia acontecido, o que poderia justificar o comportamento doentio daquele homem. Queria escrever alguma coisa, mas nada me surgia à mente. O assunto tomava conta do noticiário, e a perplexidade se misturava à revolta e ao inconformismo por ver e ouvir a forma brutal e trágica que algumas crianças perderam suas vidas e o pior, a marca deixada na memória das pessoas em todo o país, mas principalmente, daqueles que presenciaram e vivenciaram o episódio.
Assim como muitos, meus olhos se enchiam de água e eu tentava conter um pranto que parecia emergir carregando um sentimento de medo, impotência, desespero, dó, inconformismo e frustração. A violência tem mostrado as suas várias faces com certa regularidade em nossas vidas, mas nunca tão perto, não com presença tão brutal e marcante.
Se a liberdade tem um altar, como disse Abraham Lincoln, ex-presidente americano, com certeza a escola é um deles, pois, só o conhecimento pode libertar. E foi neste local sagrado, onde os pequenos que buscam suas asas da liberdade no conhecimento, para construírem um futuro melhor, tiveram suas vidas ceifadas, sem dó nem piedade. Num ritual que, segundo o noticiário, demonstrou um mistura de crença e insanidade.
Que mundo é este? De onde vem esta lição? Quais foram as fontes de aprendizado deste covarde carrasco. Que tipo de trauma ou sofrimento ele poderia ter sido submetido capaz de alimentar tanto ódio e tamanha insensibilidade. Não, pensei, deve ser um caso isolado. É mais um doente que rompeu a barreira da “normalidade”. Pensei ainda, será que, não irá inspirar outro “doente” a tentar repetir o feito?
Não passou muito tempo, tragédia semelhante tomava conta dos noticiários, atirador mata pessoas em shopping, na Holanda. Que mundo é este? Não deu nem tempo, da sociedade se recompor, realizar o seu luto e a insistente violência se faz presente. Novamente parei para refletir e tentar entender as semelhanças dos fatos.
Notícia divulgada hoje dando conta de um de bebê deixado em lixeira, rompeu a barreira do meu silêncio. Que mundo é este, voltei a me indagar. O que acontece com as pessoas? Simples assim, a pessoa não está bem, vai beber, fuma uma pedra, cheira um pó, toma uma picada, dá uns tiros, mata um, mata alguns, rouba o outro, passa o carro por cima, briga, etc, etc, etc.
É a banalização com a vida. Se não é aos poucos, pelas garras dos vícios, se não atira no outro, tira a própria vida e se não dá pra fazer nada disso, joga uma vida no lixo. Embora, em qualquer dos casos, literalmente, estão banalizando a vida.
É possível colocar um pouco de luz nas minhas indagações iniciais, é a violência que muda de cara, de país, mas, é fruto da sociedade que a constrói. Inúmeros são os problemas que nos cercam e crescem a cada dia, adiar enfrentá-los, constrói a banalização da vida. Não seria esta indiferença, um “jogar no lixo”?
Banalizamos o planeta, banalizamos a água, banalizamos a vida.
Que mundo é este!
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